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:. artigos e ensaios .:


Visita a uma sede de maracatu

 

Depois da venda do seu Hélio era a segunda casa a direita. Uma casinha branca com um pequeno terreiro na frente de onde saltava um coqueiro. Logo na entrada, quem chegava era recebido por uma turma de crianças que estavam sempre brincando no passeio. Cruzando a porta da frente logo se via no fundo da sala o grande estandarte. As letras brancas contornadas de lantejoulas douradas quase saltavam do fundo encarnado: Nação do Maracatu Cambinda Velha. Num canto da sala duas mulheres, cabeças baixas, costuravam franjas nas fantasias. A porta da direita, das três portas desta sala principal dava pro corredor lateral. Ali, cinco bombos recém encourados, descansavam. Faltavam ainda dois para preparar. Os homens apressavam-se. Cortavam as peles, terminavam a pintura dos aros, puxavam as cordas, raspavam os pelos, espalhavam o dendê. A terceira porta da sala principal dava pra uma segunda sala onde um mundo de fantasias se empilhavam deixando o cômodo quase intransitável. Numa das paredes, num lugar de destaque, a grande fantasia da rainha. Quase toda dourada, detalhes vermelhos, brilhos e vidrilhos. Desta sala podia-se ir à cozinha. Grande cozinha, espaçosa, com suas enormes panelas para servir toda aquela gente em dias de festa. Por outra porta alcançava-se o corredor. Ali pouca gente entrava. Além de ser a parte mais habitada da casa, onde morava a rainha, era também a parte que abrigava os quartos mais importantes. Os quartos das calungas.

Barreto de Araújo in: Breviário de Danças, Entrudos e Folguedos Nordestinos.