Barreto de Araújo nasceu em 1849 em Recife
numa pequena chácara próxima ao Engenho da Casa Forte.
Filho de um tenente do exército e de uma tecelã, era o
caçula de uma família de sete irmãos. Único
sobrevivente de um incêndio criminoso que em 1854 vitimou toda
sua família, foi morar com a avó paterna no aterro da
Rua Formosa. Um ano depois iniciou seus estudos no Liceu dos Padres
Jesuítas no bairro de Santo Amaro.
Em outubro de 1857 iniciou seus estudos de canto e piano na classe da
professora Maria Joaquina de Albuquerque onde seria colega de Pereira
da Costa.
Em 1859 foi orador juvenil no teatro Santa Isabel do espetáculo
de gala que homenagearia o Imperador Dom Pedro II quando este, visitando
as províncias do norte, passou seu aniversário no Recife.
Isso fez com que o jovem estudante desde cedo tomasse de admiração
o importante teatro.
Em 16 de Setembro 1869 começa a trabalhar no Jornal do Commércio
e na mesma semana recebe uma ingrata missão: cobrir o incêndio
que destruiu o Teatro Santa Isabel, local que tanto admirava.
Em 28 de Janeiro de 1870 diplomou-se no Recife em Ciências Sociais
e Jurídicas na mesma classe de Joaquim Nabuco de quem se tornaria
amigo pessoal e colega pelas lutas abolicionistas. Neste mesmo ano cobriu
os funerais de Francisco do Rego Barros, o Conde da Boa Vista.
Por indicação de seu velho amigo Pereira da Costa, tranfere-se
em 1872 para o Diário de Pernambuco onde começa a escrever
seus artigos sobre cultura popular que seriam mais tarde editados na
forma do Breviário de Danças, Entrudos e Folguedos Nordestinos.
Em 15 de novembro de 1877, durante a posse de Francisco de Assis de
Oliveira Maciel como Governador da Província de Pernambuco, tem
a oportunidade de apresentar Joaquim Nabuco ao poderoso Barão
de Vila Bela. O apoio deste à candidatura de Nabuco ao cargo
de deputado geral da província um ano mais tarde rendeu o sucesso
do empreendimento.
A partir de 1879, Barreto de Araújo, utilizando sua posição
na imprensa, dá notável impulso a campanha abolicionista
ao lado de José Mariano Carneiro da Cunha, Maciel Pinheiro, Aníbal
Falcão e Belarmino Carneiro.
Entre 1880 e 1902, leciona direito constitucional na faculdade de direito
de Recife.
Em 1891 publica a obra Compêndios da Música Brasileira
pela Editora Góes de Oliveira. Neste mesmo ano, num episódio
de grande bravura, salva de um incêndio uma jovem de 14 anos de
nome Maria Júlia do Nascimento e sensibilizado pela situação
da moça, consegue empregá-la na casa de um senhor de nome
João Vitorino, brincante do maracatu Leão Coroado, com
quem mais tarde iria se casar.
Em 1900 é convidado por seu aluno de direito Alfredo Freyre para
ser padrinho de batismo de seu filho, o recém-nascido Gilberto
Freyre de quem anos depois se tornaria professor.
Em 26 de Janeiro de 1901 funda, juntamente com Pereira da Costa e Joaquim
Maria Carneiro Vilela a Academia Pernambucana de Letras.
Hospeda em sua casa, em 1905, o jovem músico Heitor Villa-Lobos
quando este faz uma longa viagem de pesquisas musicais pelo nordeste
do Brasil. Torna-se colaborador do músico entregando-lhe muito
das melodias recolhidas em seus estudos. Anos mais tarde Villa-Lobos
se inspiraria neste material para compor suas obras de caráter
nacionalista.
Edita em 1906, sob o pseudônimo de André Ribeiro, o livro
de poesias Meu Eu Inventado. Neste mesmo ano é nomeado conselheiro
para assuntos culturais do então prefeito Martins de Barros.
Começa a se corresponder em 1918 com Mário de Andrade,
na época crítico de arte do jornal A Gazeta de São
Paulo. Nas cartas Barreto de Araújo fala da riqueza da cultura
nordestina, o que inspiraria o jovem Mário a realizar a Missão
de Pesquisas Folclóricas em 1938.
Morre num grande incêndio que destruiu seu escritório na
Rua da Aurora em Recife no ano de 1920.
* A biografia de Barreto de Araújo bem como
suas obras aqui citadas são textos ficcionais