:. Guarda de Moçambique do Divino Espírito Santo do Reino de São Benedito.:

 

“...Veio o congo como sempre vinha. As fitas, as vozes, a dança. Eu ali debaixo da saponária. Sempre com o deslumbre. Só com o prender da respiração. Iam no passo-passando, indo e vindo. As caixas, os patangomes. Os mil espelhos. Vassourinhas. Mas aquele dia veio mais. Atrás deles outros. Mais sérios, mais cabisbaixos, mais roucos. Outros negros. Quase que mais negros. Um ajuntado de lamentos. Das Dores que me disse: eram os Moçambiques. Tinham também os tambores. Tambores tristes. E entre os sons dos tambores, os sons das correntes. O de se deixar atônito. O de quase chorar sem se saber porquê. O mistério. Correntes que batiam ritmadas. As Gungas. Campanhas. Uma surra. Ora poucas num arrastar cansado, ora muitas cortando o ar. Rebelião. Batiam o pé e arrastavam dores. Batiam o pé e tiravam do chão memórias escravas. Os antepassados. Passando lentos. A poeira. Atrás deles só Nossa Senhora do Rosário, no andor, vigiava...”

Cornélio Cerqueira Filho in: Lembranças de Minhas Infância


Em 13 de Outubro de 1996, um grupo de amigos e parentes formou uma pequena guarda para levar o andor do Divino durante a festa da Guarda de Congo Feminina.


No começo os integrantes da nova guarda lutaram com muita dificuldade. Algumas caixas eram emprestadas e roupas foram doadas para suas primeiras saídas.


Mesmo com todas as dificuldades, seus integrantes permaneciam fazendo um trabalho bonito e cuidadoso. Foram então convidados pela Guarda de Congo Feminina a darem continuidade ao trabalho.


Um ano mais tarde, em 1997, funda-se definitivamente a guarda de Moçambique do Divino Espírito Santo do Reino de São Benedito, tendo como primeiros capitães Wellington Arruda; Jaderson Lisboa, o Jadinho e Iara Andrade, a Cotó.


Em 1998 são coroados os reis Jurema e Raimundo de Oliveira.


Um ano mais tarde realizam sua primeira festa, então no mês de Novembro, comparecem oito guardas visitantes. Essa festa ficou marcada por uma chuva torrencial durante a procissão mas que não tirou o brilho da festa e o ânimo e a determinação dos participantes.


Em 2000, com a festa transferida definitivamente para o 3º final de semana do mês de Junho, foram coroados reis festeiros Carlos Alberto Chaves, o Tala e Neuza Teixeira. Foram também coroados os capitães Rodrigo Sabino, o Nigéria e Newton Estanislau, o Bené. Foram também coroadas: rainha de N. Sra. do Rosário, Júnia do Rosário e rainha de N. Sra. das Mercês, Mara Jaqueline, a Quinha. Neste ano a festa contou com 12 guardas visitantes.


Em 2001 foi coroada rainha conga, Andréia Leandro; capitã, Vilma Nolasco e capitão Yuri Lisboa. Foram reis festeiros Jorge e Nelinha numa festa que contou com 19 guardas.


Em 2002, tendo como reis festeiros Leonardo Coelho e Carol Oliveira, 21 guardas participaram da festa.


Em 2003 este número subiu para 23 guardas visitantes na festa dos reis Leonardo Coelho e Zilda Lisboa.


Em 2004 os reis festeiros Henrique e Laiane receberam 24 guardas visitantes.

No ano passado, tendo como reis festeiros Gildete e Messias, a festa da Guarda do Divino recebeu 25 guardas visitantes num total de mais de 1.500 congadeiros.


Hoje a guarda conta com cerca de trinta integrantes além de reis coroados, imperador, imperatriz e um grande séqüito.


 

Guarda de Moçambique do Divino - Rua Henrique Dias, 107 - Bairro Aparecida - 3428.5032
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